Mova-se para Aprender: Relato Psicopedagógico no Ensino Fundamental II

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Samantha Rosa de Paula

Resumo
Este artigo trata-se de um relato de experiência desenvolvido com um grupo de adolescentes do ensino fundamental II, com objetivo de observar por meio das brincadeiras direcionadas e discutidas em cada capítulo. Para realização do trabalho foram utilizados alguns autores Fernández (1991; 2001; 2012), Fonseca (2004), Piaget (1990) consagrados de grande importância que nortearam a teoria, o aprendizado com a prática, com grande ressignificação real das vivências dentro de uma Fundação, em Varginha. Entretanto é um momento único de aprendizagem para a Pós-graduanda em Psicopedagogia, possibilitando vivenciar o exercício da prática profissional associado aos conhecimentos teóricos em meio às dificuldades, entusiasmo, alegrias e aprendizados que valem a compreensão de prosseguir com determinação acreditando sempre que estamos em construção em busca do conhecimento.

Palavras-chave

Psicopedagogia, Brincar, Olhar e Escuta Psicopedagógica.

Abstract

This article is regarding a experience report developed with a group of teenagers from Elementary School 2, the objective of it was to observe through their directed plays and discussed on each chapter. For this work it was used some authors like Fernández (1991; 2001; 2012), Fonseca (2004), Piaget (1990) enshrined by the big importance that gave it’s a north direction to the theory, the learning with practice with a huge and real redetermination experience inside a foundation in the city of Varginha. However this is a unique moment for learning to a postgraduate in psychotherapy allowing us to experience the exercise on the professional practice associated with the theoretical knowledge through difficulties, enthusiasm, happiness and learning that worth the understanding to move forwarding with determination and always believing that we are under construction in search of knowledge.

Keyword
Psychotherapy, Play, looking and listening psychopedagogical

1. Introdução

Neste relato de experiência é possível refletir, pensar e procurar apresentar a experiência e vivências psicopedagógica sobre o brincar e o desenvolvimento psicomotor no Ensino Fundamental II. São compartilhados alguns relatos que fizeram a diferença dentro da escola quanto ao brincar com a parte psicomotora, o que trouxe de benefícios para os adolescentes carentes com idade de onze e doze anos, que vão à escola regular no período matutino e no período vespertino vão para Fundação Alegria, que visa oferecer um apoio estudantil com aulas específicas para intensificar na aprendizagem que não foram sancionadas na escola.

É sustentada então no relato de experiência a prática, em meio aos saberes e interrogações, que observado na prática, teoria e dos teóricos discutidos neste curso, como pude fazer que cada aprendentensinante
Termo utilizado por Alicia Fernández para denominação do sujeito atendido pelo Psicopedagogo que, segundo ela, dá conta do necessário trânsito entre uma postura (aprendente) e outra (ensinante), que o sujeito deve fazer para poder aprender (2001, p.131).
pudesse ser protagonista do seu processo de construção e transformação.

Traz uma reflexão sobre o brincar, brincadeira e o jogo que são colocados em prática com desenvolvimento para os adolescentes, atividades psicomotoras e o desenvolvimento do seu criar, estimular, concentrar, observar e raciocinar na percepção que vem de diferenciações visuais, auditivas e sinestésica a entender seus movimentos ou perceber alguém ou algum objeto.

O método utilizado no artigo foi a pesquisa bibliográfica com revisão de literatura a respeito do tema e, relatos pessoais de experiências vivenciadas, como docente. Deste modo, o presente trabalho foi focado no relato de experiência dentro da Fundação Alegria, aqui em Varginha, cujo objetivo foi observar os adolescentes do ensino fundamental II, por meio das brincadeiras direcionadas e discutidas em todos os capítulos do artigo. Para realização do trabalho foram utilizados alguns autores Fernández (1991; 2001; 2012), Fonseca (2004), Piaget (1990) consagrados de grande importância que nortearam a teoria, o aprendizado com a prática.

As categorias estudadas de análises foram tomando forma e ajudando a chegar a algumas compreensões, fazendo uma ponte entre a teoria, a prática e como o brincar e o psicomotor foram o objeto desta pesquisa no contexto de meu trabalho. Inicialmente conceituando a diferença entre jogo, brincadeiras e brincar e apresentando algumas narrativas como: “Construa, Jogue e Brinque”, “Um dia diferente” e “Eu posso fazer do meu jeito? ” Com o intuito de compreender o papel do brincar para o desenvolvimento psicomotor no ensino fundamental II.

2. Conceitos de Brincar, Jogo e brincadeiras

O brincar deve ser considerado uma atividade primordial para a construção da cultura e da personalidade de cada educando. Brincar é um direito da criança, bem como o direito à saúde, à educação, entre outros, que colabora para o desenvolvimento da criança admitindo a construção de conhecimentos.

A importância do brincar foi declarada mundialmente, segundo o exposto no Princípio 7º da Declaração dos direitos da Criança:

“A criança deve ter plena oportunidade para brincar e para se dedicar a atividades recreativas, que devem ser orientadas para os mesmos objetivos da educação: a sociedade e as autoridades públicas deverão esforçar-se para promover o gozo dos direitos.”

Por isso, o brincar possibilita um desenvolvimento integral do ser humano auxiliando a criança no seu desenvolvimento afetivo, social, físico e intelectual. No aspecto da aprendizagem, segundo Piaget (1990), é em geral a assimilação que se triunfa à acomodação
Termo utilizado por Jean Piaget para denominação de assimilação é que desempenha um papel necessário em todo o conhecimento. (1996, p. 18). A acomodação é toda modificação dos esquemas de assimilação sob influência de situações exteriores (meio) aos quais se aplicam. (1996, p. 13)
, devido ao ato da inteligência levar ao equilíbrio entre a assimilação e acomodação, sendo esta prorrogada pela imitação.

Logo que a criança vai se socializando, o jogo vai propiciando imaginação simbólica ou regras às quais ela se adapta conforme as necessidades da realidade. É uma atividade que colabora para o desenvolvimento da criatividade da criança tanto na execução como na criação. Os jogos são importantes por envolverem regras como a ocupação do espaço e a percepção do lugar. Kishimoto (1993, p. 15) afirma: “Os jogos têm diversas origens e culturas que são transmitidas pelos diferentes jogos e formas de jogar”.

Na concepção de Vygotsky (1989) nos seus estudos sobre o jogo, determinou uma relação entre este e a aprendizagem, desde que o jogo auxilia no desenvolvimento intelectual, social e moral. É apresentada também pelo autor Wallon (1981) sobre o jogo que diz que toda a atividade desempenhada é lúdica, considerando mesmo a fase infantil sinônimo de lúdico.

A brincadeira faz parte do mundo da criança. É nesse momento que ela experimenta, organiza-se, regula-se, constrói normas para si e para o grupo. Desse modo, o brincar é uma das formas de linguagem que a criança usa para entender e interagir consigo mesmo, com os outros, e o próprio mundo.

2.1 Construa, jogue e brinque

O primeiro episódio foi interessante relatar à brincadeira Twister, em que os próprios adolescentes pintaram, construíram, jogaram e depois brincaram com o jogo. Este jogo é feito com círculos coloridos que a gente se contorce por inteiro para brincar, pois é colocada mão a mão e pé a pé para ver quem se mantém em pé até o final. Este jogo é possível desenvolver o equilíbrio, força, lateralidade, coordenação motora, a noção de direita/esquerda, as cores primárias, estratégia usada durante a movimentação. O jogo é simples, gira a seta do tabuleiro para sortear se vai colocar o pé ou mão e qual a cor de círculo.

Os próximos fazem da mesma maneira. Devem colocar as mãos ou pés e permanecerem no tapete com as mãos ou pés sobre os círculos coloridos. E o jogo continua até que todos tenham colocado os pés e as mãos. Assim, cada criança participou da montagem do jogo e logo após puderam brincar e se divertir. No relato de experiência:

“Sair da rotina; Só estudar, estudar e estudar; Fazer algo diferente, aprendendo brincando”
“Paciência, concentração, ajudar o próximo”

Construa, jogue e dobreFoto 1:”Construa, jogue e dobre”
Fonte:Autor: Samantha Rosa de Paula relato de experiência

Construa, jogue e dobreFoto 2:”Construa, jogue e dobre”
Fonte:Autor: Samantha Rosa de Paula relato de experiência

Como foi observado nas fotos, uma simples brincadeira pode fazer com que todos aprendentensinantes fizessem parte da aula e foi possível trabalhar a Psicomotricidade.

Ao entrarmos em contato com a Psicopedagogia, percebemos, a partir das leituras e estudos, principalmente dos escritos de Fernández, que: “ser ensinante significa abrir um espaço para aprender. Espaço objetivo e subjetivo em que se realizam dois trabalhos simultâneos: a construção de conhecimentos e a construção de si mesmo, como sujeito criativo e pensante” (2001, p.30).

2.2 “Eu posso fazer do meu jeito?”

O segundo relato de experiência foi a brincadeira com Tangram, que é um quebra-cabeça chinês, muito antigo formado por sete peças, sendo possível criar e montar cerca de (mil setecentas) 1.700 figuras entre animais, plantas, pessoas, objetos, letras, números, figuras geométricas dentre outros.

A escolha de trabalhar o Tangram surgiu porque foi dada uma oficina muito interessante e divertida pela Fundação Aprender, ministrada pela Professora Julia Eugênia Gonçalves, da qual participei. A oficina foi dividida em vários momentos: primeiro foi verificado se já conheciam o jogo, depois foi contada a lenda sobre o surgimento do jogo, passou-se para a fase de montagem do jogo e depois era para fazer um desenho com as peças do quebra-cabeça chinês.

No relato de experiência alguns alunos disseram que:

“Eu gostei muito, porque ativa o nosso lado criativo e nos faz pensar em várias formas e atividades diferentes”
“Eu achei muito interessante porque a gente aprende brincando e desenvolve também, foi muito bom brincar com o Tangran!

Eu posso fazer do meu jeito?Foto 3:”Eu posso fazer do meu jeito?”
Fonte:Autor: Samantha Rosa de Paula relato de experiência

Eu posso fazer do meu jeito?Foto 4:”Eu posso fazer do meu jeito?”
Fonte:Autor: Samantha Rosa de Paula relato de experiência

Foi constatado pelas falas que quando você participa da criação, da construção, do fazer, isso permite armazenar, inspirar, escrever, armazenar as experiências de aprendizagem num campo muito mais significativo de modo atingir melhores percepções de um aprendente. “O indivíduo não é feito de uma só vez, mas se constrói, através da interação com o meio e de suas próprias realizações”. (FONSECA, 2004, p.19).

2.2.1 Autor da sua própria historia

Depois, que jogamos, foi solicitado que inventassem o seu próprio desenho, utilizando suas habilidades e criatividade. Quando o professor desempenha a sua habilidade de mediador das construções de aprendizagem, o resultado da interação entre o meio ambiente e as estruturas mentais é o aprender. O docente é co-autor da construção da aprendizagem dos alunos e por isso, o conhecimento é construído e reconstruído consecutivamente.

É possível perceber que o conhecimento como cooperação, criatividade e criticidade instiga a liberdade e a coragem para modificar, sendo que o aprendiz se torna no sujeito ator como protagonista da sua aprendizagem. Assim, o professor cumpre a sua capacidade de ser o mediador das construções de aprendizagem. Mediar é participar e promover mudanças.

“A participação do professor, por inteiro, (corpo, organismo, inteligência e desejo) nessa relação, na sala de aula, no processo ensino-aprendizagem demanda a participação dos alunos também por inteiro. O organismo, transversalizado pela inteligência e o desejo, irá se mostrando em um corpo, e é deste modo que intervém na aprendizagem, já corporizado”. (FERNÁNDEZ, 1990, p.62).

É necessário que quem aprende possa unir-se mais com seu sujeito ensinante do que com seu sujeito aprendente, e quem ensina possa vincular-se mais com seu sujeito aprendente do que com seu sujeito ensinante. Em seu Livro O Saber em Jogo: a psicopedagogia propiciando autorias de pensamentos Alicia Fernández que:

“O sujeito aprendente situa-se nos diversos “entre”, mas, por sua vez, os constrói como lugares de produção e lugares transicionais. Entre a responsabilidade que o conhecer exige e a energia desejante que surge do desconhecer insistente. Entre a certeza e a dúvida.Entre o brincar e o trabalhar. Entre o sujeito desejante e o cognoscente. Entre ser sujeito do desejo do outro e ser autor de sua própria história.Entre a alegria e a tristeza.Entre os limites e a transgressão.” (FERNÁNDEZ, 2001, p.56).

Por fim, a autora inclui “o ‘entre’ que se constrói entre o sujeito aprendente do aprendente e o sujeito ensinante do ensinante é um espaço de produção de diferenças”. (FERNÁNDEZ, 2001, p.56).

Ao fazer referência ao espaço de produção de diferenças, é percebido que a autora marca a experiência sobre os modos diferentes de interpretar e de sentir, ou seja, abre espaço para considerar se sua ação satisfez ou não à necessidade a existência da autoria de pensamento.

Contudo, quando vai além dos modelos pré estabelecidos, quando assimila novos conhecimentos e busca novos conceitos pode-se dizer que está sendo protagonista da sua própria história, buscando sua própria autoria e criando assim sua própria identidade Fernandez, apud Beauclair (2009, p. 53), “Autoria é o processo e o ato de produção de sentidos e de reconhecimento de si mesmo como protagonista ou participante de tal produção.”

Eu posso fazer do meu jeito?Foto 5:”Eu posso fazer do meu jeito?”
Fonte:Autor: Samantha Rosa de Paula relato de experiência

Eu posso fazer do meu jeito?Foto 6:”Eu posso fazer do meu jeito?”
Fonte:Autor: Samantha Rosa de Paula relato de experiência

3. Considerações finais

Realmente, relembrando os acontecimentos que ocorreram durante a trajetória com a Psicopedagogia, é de suma importância, o brincar e o desenvolvimento psicomotor no desenvolvimento e no processo ensino-aprendizagem, bem como a contribuição da Psicopedagogia no processo ensinar e aprender.

O desenvolvimento psicomotor, antes de ser uma metodologia definitiva é um instrumento no âmbito educativo, sob esta ótica deve ser utilizado pelo profissional da educação, visto que propicia ajuda no desenvolvimento motor e intelectual do aluno, integrar o corpo e a mente ajuda na sua formação.

Construir a prática com um novo olhar exige mudança de postura, ação, conhecimento e capacidade de sonhar. Para que eu me tornasse uma Psicopedagoga encontrei docentes e discentes do curso, com um novo olhar seja para criança, adolescente, o adulto e o idoso. Dedica-se a proporcionar um espaço observador, através do olhar e da escuta sensível, afetiva e dedicada da Psicopedagogia, em que o encontro com ensinantes e aprendentes pode acontecer, para refletir e repensar sua prática, como acontecem “seu fazeres” em sala de aula.

Esta e outras escutas pretendem atingir estratégias e ferramentas que promove conhecimento e a aprendizagem. Os psicopedagogos não podemos mudar nossa sociedades sozinhas (os), mas podemos nos empenhar a plantar e trabalhar com a semente da criatividade, curiosidade, cidadania e claro acreditar no seu próprio potencial, estando certas de que florescerão ao longo da vida, sendo o autor da sua própria autoria.

Da maneira que o aprendentensinante não tem idade definida para aprender, a aprendizagem não tem idade para acontecer, nas mais diferentes faixas de idades, nos mais distintos níveis sociais, culturais, na família, nas instituições desde o início da vida até a morte, a aprendizagem sempre vai estar em suas peculiaridades próprias e as que a incorpora.

Finalizo esse artigo um percurso em meio às dificuldades, entusiasmo, alegrias e aprendizados. E é compreendo que vale a pena prosseguir nos sonhos com determinação de poder torná-los capaz e real acreditando sempre que estamos em construção (aprendente-ensinante) em busca do conhecimento.

Referências Bibliográficas

  • BRASIL. Conselho nacional dos direitos da criança e do adolescente. Resolução no 41, de 13 de outubro de 1995.
  • BEAUCLAIR, João. Para entender a Psicopedagogia: perspectivas atuais, desafios futuros. 3 ed. Rio de Janeiro: Wak, 2009.
  • FERNÁNDEZ, Alicia. A Atenção Aprisionada. Porto Alegre: Penso, 2012.
  • ________________. O saber em jogo: a Psicopedagogia propiciando autorias de pensamento. Trad. Neusa Kern Hickel. Porto Alegre: Artmed, 2001.
  • ________________. Os idiomas do aprendente: análise das modalidades ensinantes com famílias, escolas e meios de comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2001.
  • FONSECA, Vitor da. Psicomotricidade: perspectivas multidisciplinares. Porto Alegre: Artmed 2004.
  • KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogos tradicionais infantis: o jogo, a criança e a Educação. Petrópolis: Vozes, 1993.
  • PIAGET, Jean. A Formação do Símbolo na criança. Rio de Janeiro: Livros técnicos e Científicos,1990.
  • VYGOTSKY, Lev Semenovitch. Pensamento e linguagem. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes,1989.
  • WALLON, Henri. A Evolução Psicológica da Criança. 70 ed. Lisboa:1981.
    WINNICOTT, Donald Woods. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago. 1975.
MINICURRÍCULO DO AUTOR
  • Professora da Fundação Alegria
  • Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Alfenas – UNIFAL
  • Pós Graduada em Psicopedagogia pela FAI – Centro de Ensino Superior em Gestão, Tecnologia e Educação
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