A Educação Pós-Moderna: Percalçados do Ensino-Aprendizagem em Novos Horizontes

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PAULO GILSON CARVALHO JÚNIOR

Resumo

A pós-modernidade exige uma reabilitação do professor como pedra fundamental do ensino-aprendizagem em um tempo de mudanças profundas já que a pedagogia moderna não surte mais eficácia nas salas de aulas, tem se hoje a necessidade da reconceitualização do professor como pesquisador e que a partir desta perspectiva se recontextualiza a formação inicial do professorado tendo nos pressupostos de sua pesquisa investigativa os aspectos culturais dos alunos; este artigo tenta mostrar esta necessidade, ao abordar um pouco a identidade pós-moderna na educação e elegendo a formação do professor pesquisador reflexivo como principal ferramenta para tentar sanar as dificuldades deste âmbito escolar heterogêneo, unido aos novos elementos tecnológicos e sociais comunicativos da atualidade.

Palavras-chave

Educação, Pós-Modernidade, Pesquisa

Abstract

Postmodernity requires a rehabilitation of the teacher as the cornerstone of teaching and learning in a time of profound changes since the modern pedagogy does not suffice more effectively in the classroom, today has been the need for reconceptualization of the teacher as researcher and that from this perspective is recontextualize initial training of teacherswith the assumptions of his investigative research cultural aspects of the students; this article attempts to show this need by addressing a little postmodern identity in choosing education and teacher education researcher reflective as the main tool to remedy the difficulties of the school heterogeneous but united with the new information technology and social communicative today.

Keywords

Education, Post-Modernity, Search

Introdução

A educação atual inserida no ambiente de ensino tradicional é levada a ser repensada pela ineficácia que tem suas dinamicidades frente aos novos modelos de alunos que a pós-modernidade erige e, no intuito de contornar a situação problemática do ensino-aprendizagem nesta nova era novos pensadores da educação se propuseram a levantar a questão da pesquisa e reflexão, Antônio Nóvoa doutor em educação e catedrático da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa é um destes teóricos, no qual aborda a necessidade do professor adentrar no mundo cotidiano do aluno experenciando suas aptidões culturais e depois refletindo sobre seu ensinar, construindo assim um novo modelo de aprendizado, baseado nas emoções, facilitando portanto a atenção na disciplina a ser ministrada, pois nesta era que tanto radicaliza o comportamento das pessoas, principalmente os jovens, inseridos no momento que alguns chamam de pós-modernismo “designa o estado da cultura após as transformações que afetaram as regras dos jogos da ciência, da literatura e das artes a partir do final do século XIX” (LYOTARD, 2000, p. xv), se mostra como uma época de transição, de incertezas e indeterminações, pondo em cheque as validades de ciências que definem a sociedade totalitariamente, fruto de mudanças nas estruturas de convivência social, que altera de forma significativa a cultura do local, acompanhada de novos elementos sociais, tecnológicos e propagandas que incitam a usá-los como a informática, que é um destes meios que se propagou rápido e anda ganhando adeptos a cada momento na sociedade principalmente no que diz respeito à internet, símbolo de meio de comunicação democrática, na qual se hospedam sites como o Wikipédia, onde os usuários podem contribuir com conhecimentos que em sua maioria fogem de conteúdo probatório ou rigor científico, causando uma explosão de informações que não podem ser comprovadas, construídas por opiniões nas oportunidades dadas as expressões populacionais com sede de participação, outro site que afetou o comportamento da sociedade foi o Orkut, este em dado momento provocou uma liberdade de expressão e partilhamento de emoções, sentimentos e particularidades de cada um, hoje há uma predominância de adeptos no site do Facebook, similar ao Orkut, porém este tem por especificidade o compartilhamento de quaisquer pensamentos que o usuário quer expor aos internautas de forma instantânea e interativa.

Com estes adventos podemos perceber também que a sociedade se viu liberta das censuras burocráticas das publicações, antes eram silenciosas e não tinham a facilidade que tem de unirem as forças e opiniões tão rapidamente, concorrendo assim para uma unicidade cultural e certa politização das massas, que agora surgem com uma força democrática e vitalizadora na comunicação, mas ao mesmo tempo que se expande esta democracia e liberdade surge do outro lado da moeda as reações colaterais, vem a tona a falta de respeito, a insegurança, a violência, etc, daí são construídos novos jovens com personalidades forjadas pela globalização informacional, com ideologias concorrentes e contrárias do tradicionalismo político e cultural, onde mudam-se os atores detentores das vozes determinantes, a população pós-moderna não consegue mais engolir o tradicionalismo, as formas antigas de ordem cultural, puxam de volta para ela a legalidade de transformação social e política e assim acabam por provocar revoltas, rebeliões e manifestações sociais contra a ordem estabelecida.

1. Tá, Mas e a Educação?

A educação vai entrando em conformidade com esta era de mudanças e é orientada a construir operários mais aguçados para trabalhos nas indústrias, especialistas para as diversas empresas que se instalam em suas regiões, jovens se formam na finalidade da reprodução tecnológica, e sentem esta necessidade, pois a propaganda pós-moderna os fazem assim, ideologias midiáticas transmitidas publicamente com a função de manobrar e perfazer consumidores em larga escala, indivíduos apropriados pela nova moda e com necessidades de ter e ou saber manusear os produtos industriais, como o computador, o tablet, o celular, o i-pad; i-pod?

E quando se trata de pensadores? Críticos? O que refletem? Pois bem, a maioria dos currículos educacionais desta época não se importam com este detalhe, o lema agora é desenvolver, acabar com o atraso tecnológico e buscar a independência financeira o mais rápido possível, predominando neste estágio o instrucionismo, no qual se orienta a não pensar muito, pois é veiculado que o pensar e refletir criticamente ocasiona o atraso no desenvolvimento do profissionalismo e pode acarretar no desemprego, portanto os indivíduos são estimulados a aprender a usar a tecnologia e para isso é preciso um ensino técnico e acrítico, pois tudo já está pré-estabelecido, é só aprender a manusear e a reproduzir.

2. Enquanto Isso No Ensino Básico

Tangenciando a escola técnica muito difundida na atualidade tendo uns dos motivos a brevíssima explicação dada anteriormente, temos o ensino básico que detém o maior número de contrastes entre professores com velhas tradições pedagógicas e os alunos com estes novos comportamentos pós-modernos com a problemática do ensino-aprendizagem se intensificando a partir da não absorção de conteúdos por parte dos alunos, pois se perguntam muitos qual a verdadeira finalidade de conceitos que não estão em sintonia com o mundo no qual estão vivendo, se não tem nenhuma utilidade então para quê estão ali e terminam esvaziando a sala de aula deixando alguns professores desolados e sem saber o que fazer, o docente desconhecedor de alguma teoria, diga se agora técnica pedagógica no qual consiga a atenção e o interesse do aluno em sua disciplina se vê frustrado, se sente incapaz de transmitir seus conhecimentos ocasionando muitas vezes na desistência da profissão, pois a escola de cunho socializador agora se coloca desprevenida para tais situações, e é neste contexto democrático com novas aptidões e vontades que surgem os debates que procuram sanar esta deficiência escolar, dentre estes debates o pesquisador educador Nóvoa (1997) aplica um paradigma que situa o professor dentro da vida do aluno, como um psicólogo que quer socializá-lo, um patrono cultural, se envolvendo nas tramas da história dos alunos holisticamente e adaptando os valores e crenças aos conteúdos de sua disciplina de forma que o aluno consiga ter atenção e prazer de aprender, se entranhando na personalidade discente individualmente, ou seja, conhecendo a identidade personalíssima do aluno o professor poderá trabalhá-lo em consonância tanto do mundo em que vive quanto em relação ao conhecimento científico.

3. E a Formação Docente?

As Universidades não ficam de fora desta problemática, porém estão situadas em outra ordem, alguns professores, eu poderia dizer a maioria dos professores de instituições de ensino superior públicas do estado do Piauí ainda não detém um conhecimento abrangente do modelo de professor pesquisador reflexivo, ou não transmitem estes conceitos aos seus alunos, futuros professores, a diferença é que a maioria de seus alunos já se concretizam nas disciplinas, estão ali e não é difícil ter a atenção deles, pois querem se profissionalizar, já tem objetivos delineados, pelo menos é o que constatamos nas universidades Estadual e Federal do Piauí, falo aqui das licenciaturas plenas em História; observamos também por um levantamento interdiscursivo entre professores e alunos que o modo de trabalho pedagógico de muitos docentes do ensino superior com seus alunos graduandos é ainda um modelo tradicional de ensino, não em relação a construção do entendimento de mundo, da crítica e da reflexão sem maiores dificuldades de ter uma harmonia no ensino-aprendizagem, até por que talvez saibam separar as nuanças pós-modernas não atingindo assim com tanta força o alunos acadêmicos do mesmo modo como atinge o ensino básico, creio que seja um amadurecimento educacional se assim podermos nos referir, mas seu problema existe, persiste e se focaliza na transmissão do fazer pedagógico, digo do saber ensinar de acordo com as novas necessidades da atualidade e de seus novos atores, é como se o âmbito acadêmico estivesse em uma época diferente, despreocupado com a realidade da educação básica, construindo recém formados aptos no conhecimento do conteúdo de seus cursos, mas inaptos para atuarem em um mundo de transformações, inserido na tecnologia informacional eletrônica; então como repassar tais conteúdos sem preparação? Este sim é ainda um obstáculo a ser ultrapassado; procuramos algumas faculdades particulares em Teresina e constatamos sem querer propagandeá-la, a FAMEP – PI, Faculdade do Médio Parnaíba, uma das únicas a refletirem sobre estas circunstâncias pós-modernas e decidiram incluir em seu currículo nos cursos de licenciatura a disciplina “Formação do Professor Pesquisador I, II e III”, disciplina que abrange conceitos modernos e pós-modernos de educação, assim como a identidade do aluno contemporâneo, incitando o graduando a rever as pedagogias tradicionais e correlacionando-as ao mundo do clique, é composta de atividades de pesquisa em campo, especialmente nos aspectos culturais dos alunos da educação básica, fazendo os futuros docentes refletirem o melhor meio de transmissão do conteúdo de suas disciplinas. Para Nóvoa (2001) esta função de professor pesquisador reflexivo se apresenta como um movimento contra-hegemônico e como um estímulo à implementação de novas modalidades de formação, onde se acorda os argumentos da relação entre pesquisa, formação do professor e prática docente, nessa perspectiva, ao apropriar-se de novos conceitos e linguagens na cosmogonia da pós-modernidade o professor situa-se como leitor crítico de si, da vida do aluno e de sua circunstância, de modo a investigar sua ação e renovar sua prática, tornando-se um professor reflexivo e atualizado.

É no espaço concreto de cada escola, em torno de problemas pedagógicos ou educativos reais, que se desenvolve a verdadeira formação. Universidades e especialistas externos são importantes no plano teórico e metodológico. Mas todo esse conhecimento só terá eficácia se o professor conseguir inseri-lo em sua dinâmica pessoal e articulá-lo com seu processo de desenvolvimento. (Nóvoa, 2001, p. 25).

4. E Aqui Finalizo Com o Que Poderia Ter Iniciado Este Artigo

De acordo com Paiva (2003) a formação docente vem sendo um tema amplamente discutido nas esferas acadêmica e governamental e, posto à compreensão cada vez maior da importância do educador para a formação do sujeito como partícipe de um mundo globalizado e cada vez mais exigente. Estas discussões trazem em sua essência o problema do ensino-aprendizagem na formação docente em uma época de transições culturais, com a necessidade de saber formar pessoas não somente para guardar para si os conhecimentos adquiridos, mas também ministrar conteúdos, estimular a reflexão, a crítica e o aprendizado mais eficaz no aluno.

Referência Bibliográfica

  • LYOTARD, Jean-François. A condição pós-moderna. Trad. Ricardo Corrêa Barbosa; posfácio: Silviano Santiago – 6. ed. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2000. Título original: La condition postmoderne. (1979)).
  • NÓVOA, A. (ed.). Os professores e a sua formação. Lisboa, Pt: Publicações Dom Quixote, 1997.
  • PAIVA, E. V. A formação do professor crítico-reflexivo. In: PAIVA, E. V. (org.) Pesquisando a formação de professores. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
MINICURRÍCULO DO AUTOR

Licenciado em História pela universidade Estadual do Piauí, especialista em Estado, Cultura e Movimentos Sociais pela Universidade Estadual do Piauí, professor efetivo da Faculdade do Médio Parnaíba – TE – PI.

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