A Responsabilidade Da Prática Pedagógica Do Educador

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Alcione Pereira Martins

Resumo

O presente artigo trata da responsabilidade que o educador assume ao trabalhar sua prática pedagógica, sabemos que por muito tempo o educador foi tido como o detentor de pleno conhecimento, a ele eram incumbidos todo o controle e administração do trabalho pedagógico. E foi a partir dessa idéia, que se permeou a ação educativa durante muitos anos. Obviamente que muitos modelos de aprendizagem surgiram e foram legitimados e implementados na prática dos educadores de modo descontextualizado e fora da realidade sócio-cultural e econômica da comunidade escolar. No entanto, se faz necessário uma reflexão mais ampla sobre como tem sido a dinâmica dos educadores no ambiente escolar, e quais impactos da sua ação educativa. Diante desse quadro de complexidade entre o prazer de ensinar e a responsabilidade desta profissão, foram analisados os trabalhos dos docentes de duas instituições públicas e uma particular de ensino do estado de Goiás.

Palavras-chave

Pedagogia

Abstract

This article deals with the responsibility of the educator to take their teaching work, we know that for a long time the teacher was seen as the holder of knowledge, to him were entrusted the entire control and management of educational work. It was from this idea, which permeated the educational activity for many years. Obviously many learning models emerged and were legitimized and implemented in the practice of educators so descontextualized and out of the socio-economic and cultural school community. However, it is necessary to a broader discussion as has been the dynamics of the teachers in the school environment, and what impacts their educational activities. Given this situation of complexity between pleasure and responsibility to teach this profession, we analyzed the work of teachers from two public and one private school in the state of Goias.

Introdução

Sabemos que a educação é um dos fatores mais importantes no desenvolvimento do homem enquanto ser racional e social, e que não existe uma forma única de se adquirir ou proporcionar educação, ela depende de uma serie de condicionamentos que variam de lugar para lugar e de época para época.

Antigamente a educação acontecia nas sociedades apenas de maneira assistemática, isto é, era a vida do dia-a-dia, da comunidade, as práticas de sobrevivência, como plantar, pescar e comercializar que instruíam e formavam os indivíduos. Eram os costumes, as tradições, que passavam verbalmente de geração a geração que determinava a organização de vida das populações, no entanto, algumas sociedades procuraram sistematizar a educação que era assimilada cotidianamente. Foram criadas escolas que iriam preparar os indivíduos a vida social e política. As sociedades modernas acolheram com mais interesse essas instituições porque sentiram que elas conseguiam atender seus anseios políticos, econômicos e socioculturais.

O papel do educador deve ser a mediação entre o aluno e o conhecimento a ser adquirido. LIBÂNEO (1998) enumera as novas atitudes docentes, onde diz que o professor deve assumir o ensino como mediação, concebendo estratégias de ensino que visam ensinar a aprender, bem como persistir no empenho de auxiliar os alunos a pensarem de forma crítica, contextualizando os temas.

De acordo com Nóvoa (1997) A troca de experiências e a partilha de saberes resultam num espaço de formação mútua, onde cada educador desempenha simultaneamente, o papel de formador e de formando.

Na visão de LIBÂNEO (1998), o professor precisa desenvolver capacidades comunicativas, reconhecer os impactos das novas tecnologias de informação em sala de aula, atender a diversidade cultural, respeitar as diferenças, investir na atualização cientifica, técnica e cultural, integrar no exercício da docência a dimensão afetiva, bem como desenvolver comportamento ético a fim de orientar os alunos em valores e atitudes.

O que buscou-se com essa pesquisa foi saber se de fato as instituições vem assumindo esse papel de atender anseios da população, e formar cidadãos capazes de se situar no mundo.

1. Metodologia <h/3>

A presente pesquisa foi realizada em três instituições de ensino, duas da rede pública e uma da rede particular, foram analisados o perfil dos educandos, a estrutura física das instituições e a prática pedagógica dos educadores, através de observação e questionários.

Para a análise dos dados fez-se a opção pela abordagem qualitativa por possibilitar que o processo em que a pesquisa foi desenvolvida seja considerado e analisado. A análise crítica do contexto, bem como a interação entre pesquisador e objeto de estudo terá uma conotação essencial para a compreensão do problema desta investigação.

A primeira instituição, localizada na cidade de Luziânia/GO, atende Educação de Jovens e Adultos – EJA, com cerca de 200 alunos e 7 professores, no período noturno, quando foi realizado a pesquisa. Inicialmente Fez-se uma sondagem da estrutura física da escola onde constatou-se uma estrutura um tanto destruída, os banheiros estão com as portas quebradas, em péssimo estado de conservação, não disponibiliza de salas de vídeo ou laboratórios, possui apenas dois computadores, uma TV e um vídeo que quando necessários são encaminhados as salas de aula. A biblioteca da escola, esta muito bem organizada, porém, a sala é pequena e não esta adequada para que os alunos possam estudar e fazer trabalhos em seu interior, pois embora o lugar seja organizado o ambiente não disponibiliza de espaço adequado para receber muitos alunos de uma vez, cabendo aos organizadores e professores estarem regulando a quantidade de alunos que entram no local. Segundo a coordenação da escola há um processo de reforma em vias legais há cerca de dois anos, e espera-se que logo seja aprovado para que os recursos sejam repassados e a escola melhorada.

Através de questionários podemos observar que a faixa etária dos educandos varia de 16 a 35 anos, 67% do sexo feminino, cerca de 78% trabalham no período diurno, apresentam baixa renda. Através de conversas informais muitos alegam estar atrasados na escola por culpa dos pais, que não davam tanta importância e não os obrigou a estudar quando crianças.

Quanto a prática pedagógica dos educadores, observou-se que apesar de não disponibilizarem de equipamentos apropriados para auxiliá-los didaticamente, possuem bastante força de vontade, são atenciosos com os alunos, fazem plantão de duvidas, e para auxiliar nas notas passam muitos trabalhos extra classe. Alguns educadores afirmam que os estudantes do EJA são sempre interessados, motivo que os leva a querer que aprendam e se formem.

A segunda instituição pesquisada é da rede particular de ensino, localizada na cidade de Valparaiso/GO, atende ao ensino fundamental e médio no período diurno, a escola possui cerca de 500 alunos nos dois períodos, 16 professores e 8 monitores. Com uma realidade muito diferente da primeira instituição, as dependências da escola são muito bem conservadas, o prédio esta em ótimas condições, possui sala de informática, piscinas, biblioteca, sala de direção, sala de coordenação pedagógica, auditório, banheiros infantis, banheiros adultos, sala de professores, refeitório, sala de artes, laboratório, quadra de esportes, cantina, pátio interno com parquinho. Porém a orientadora nos informou que não há muita participação dos pais nas decisões e acompanhamento escolar dos alunos.

Em razão do número de estudantes o questionário de perfil foi aplicado a apenas três turmas, onde identificamos que a faixa etária dos educandos varia de 6 a 17 anos, 57% do sexo feminino, cerca de 3% afirmaram já fazerem algum tipo de trabalho remunerado, como estágio, apresentam renda familiar de média a alta.

Em relação à prática docente vimos um trabalho muito organizado e didático, que seguem as orientações didáticas da instituição, os educadores contam com a valiosa colaboração da orientadora educacional que os auxilia na avaliação das potencialidades e as limitações dos alunos nos planos efetivo, psicológico, social e intelectual. Segundo a própria orientadora o trabalho docente fica mais fácil e prazeroso porque eles tem estudantes felizes e satisfeitos com a instituição.

A próxima instituição estudada, também da rede publica de ensino, situada na Cidade Ocidental-GO, atende a Educação Infantil e Ensino Fundamental tem cerca de 480 estudantes, a estrutura física não é das melhores, tem problemas de goteiras, pisos quebrados, banheiros interditados, copa com apenas um fogão, não possui quadras ou salas de informática.

O perfil dos educandos como já era de se esperar não é muito animador, na verdade em conversas informais com estudantes chega a ser desumano o que algumas crianças contam. A faixa etária dos educandos varia de 4 a 14 anos, 52% do sexo feminino, cerca de 6% alegam fazer algum tipo de atividade remunerada, apresentam baixa renda. Através de conversas informais ouviu-se histórias de um histórico de vida triste, de crianças que mal começaram a trilhar seus próprios passos, algumas, ou melhor dizendo muitas, contaram que a escola é muito legal porque serve lanche, e as tias dão brinquedos no final do ano

Os educadores falaram da grande dificuldade em lecionar na instituição que não oferece condições nenhuma de um bom ensino, chega a faltar giz para escrever no quadro. Porém observando o trabalho dos mesmos vimos que são não só corajosos mais dedicados e empenhados em cumprir o seu papel de educador, a prática nem sempre é a mais didática, ou criativa, na verdade é a situação nesse caso que faz a ação pedagógica acontecer.

2. Resultados e Discussão

Através da realização desta pesquisa fica claro a importância da participação de professores, alunos, pais e funcionários nas decisões que determinam o processo de aprendizagem e limita as propostas de melhoria das condições do ensino publico. Constata-se que além da dominação moral e intelectual, as escolas públicas enfrentam uma série de problemas que dificultam seu funcionamento. O pleno desenvolvimento das atividades educativas são prejudicadas pelo atraso de material didático, número excessivo de alunos, equipamentos ultrapassados e precários além de uma série de imposição burocráticas que impedem a administração de fazer melhoria na escola.

As metodologias pedagógicas e administrativas das escolas públicas apresentam-se disfarçadas de boas intenções, no entanto, são vitimas de regras, normas e determinações que vêem das classes dominadoras, é preciso refletir sobre as ações desumanizadoras que perpetuam nessas escolas.

Enquanto na rede particular de ensino vimos que apesar de um bom ensino, uma boa estrutura, ainda falta à participação dos pais, esses de certo acreditam ser obrigação apenas da escola educar seus filhos.

A escola é parte da sociedade e não um corpo estranho a mesma, sua constituição e funcionamento foram gerados a partir de demandas da sociedade por isso mesmo a cultura e as necessidades locais devem ser incorporadas a educação escolarizada para que lhes seja verdadeiramente útil, não correndo o risco de ser apenas um conjunto de conhecimentos abstratos e distanciados de sua realidade.

Conclusão

A responsabilidade de uma boa prática pedagógica não é so do educador é de todos, da comunidade, dos governantes, dos pais. Porém vale ressaltar que um bom educador, comprometido e responsável é capaz de realizar seu trabalho dignamente e com qualidade, mesmo sem boas condições educar é possível. Educador não é só uma profissão é uma escolha de vida, com desafios, alegrias, esperança e vontade de mudar.

Referências Bibliográficas

Livro

 

  • BARBOSA, Laura Monte Serratt. PCN: parâmetros curriculares nacionais: temas transversais: uma interpretação e sugestões para a prática/Laura Monte Serrat Barbosa. Curitiba: Bella Escola, 2002.
  • IMBERNÓN, F. Formação Docente e Profissional. São Paulo, Cortez, 2001.
  • LIBÂNEO, J.C. Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez, 2002.
  • NÓVOA, Antonio. (coord). Os professores e sua formação. Lisboa-Portugal, Dom Quixote, 1997.
MINICURRÍCULO DO AUTOR

Pedagoga, especialista em educação infantil, especialista em gestão de pessoas, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais da Universidade de Brasília, UnB.

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